A inerrância Biblica

A Bíblia para os protestantes é a única regra de fé e prática, ela é a “palavra de Deus”, cada um dos seus textos foi divinamente inspirado e dela nada pode ser retirado, nem a ela acrescido. Vale transcrever aqui o judicioso comentário do escritor RUBEM ALVES: “Parte-se de um “a priori” dogmático: A Bíblia foi escrita por inspiração de Deus. Mas, mais do que isto. Não basta dizer “foi”, porque então entraríamos no campo das mediações históricas. Como garantir que o texto não foi corrompido? E com isto a autoridade se dissolve pela dúvida. O texto foi preservado puro em todos os séculos, de sorte que o texto que temos hoje diante de nós contém, na sua totalidade, as próprias palavras de Deus. A Bíblia é, assim, a voz de Deus”. (“Protestantismo e Repressão”, ed. Ática, pg. 98).

O Antigo Testamento:
É um conjunto de documentos muito respeitáveis, mas há que entender a distância de dezenas de séculos e a mentalidade do povo de então, a que se destinava. A Ciência não contradiz o Antigo Testamento, antes nos faz entender que a sua linguagem é muitas vezes simbólica. Enquanto estiverem pegando os textos na literalidade e sem a mínima interligação com outras passagens, ou até mesmo, do próprio contexto onde ele se encontra, será difícil entender o que foi dito. Lembrando, ainda, que uma palavra que conhecemos hoje, não pode ser atribuída a um texto antigo, esse é um erro gravíssimo. Confessamos encontrar uma grande dificuldade em estudar a Bíblia, pois não sabemos qual é a que está com a verdade. Estas últimas citações foram retiradas da Edição Barsa, a mais antiga que nós temos em mãos.

Várias pessoas, questionaram no passado e ainda hoje, a sua integridade, com as indagações:
MÁRIO CAVALCANTI DE MELLO, intitulada “Da Bíblia aos Nossos Dias”, ed. FEP, Curitiba, onde ele disseca magistralmente o Velho Testamento. Eis algumas das interessantes indagações do referido autor (Pgs. 363/371), aliás em alguns casos transcrevendo perguntas formuladas por DOMÊNCO ZAPATA, professor de Teologia na Universidade de Salamanca, no século XVII:

1 — Como pôde Deus criar a luz antes do Sol? — (Gên. 1:3 e 14). Como separou Ele a luz das trevas (Gên. 1:4), se estas nada mais são do que a privação da luz? Como fez o dia antes que o Sol fosse criado?

2 — Como afirmar que do Éden saía um rio que se dividia em outros quatro, um dos quais, o CIOM, que corria no país de Cuse (Etiópia) (Gênesis 2:13) só podia ser o Nilo, cuja nascente distava mais de mil léguas da nascente do Eufrates?

3 — Por que a proibição de comer do fruto da “árvore da ciência do bem o do mal” (Gên. 2:17), se é fato que, dando a razão ao homem, Deus só poderia encorajá-lo a instruir-se? Acaso preferiria Ele ser servido por um tolo?

4 — Por que se atribuiu à serpente o papel de Satã (Apoc. 12:9), se a Bíblia apenas diz que “a serpente era o mais astuto dos animais” (Gen. 3:1)? Que língua falava essa serpente, e como andava ela antes da maldição de que passaria a arrastar-se sobre o ventre e comer pó? (Gen. 3:14). E como explicar a desobediência da serpente, se nunca se ouviu falar de cobra que comesse pó? E como explicar que tantas mulheres possam hoje dar à luz sem dor e tantos homens comam o seu pão sem precisarem de suar o rosto? (Gen. 3:16/19).

5 — Como pôde ser punido com tanto rigor um ente primitivo como Adão, que não sabia discernir entre o bem e o mal? (e a prova disso se encontra no verso 22: “Eis que, o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal”. Caim cometeu um fratricídio e não mereceu uma pena tão severa; a despeito da maldição: “Fugitivo e vagabundo serás na terra” (Gen. 4:12), foi para Node, onde constituiu família e até construiu uma cidade (Gen. 4:17) e “seus descendentes foram mestres em várias artes:” (Gênesis 4:20-22).

6 — Os teólogos pretendem que a morte entrou no mundo em conseqüência do pecado de Adão (pelo menos é este o ensino de Santo Irineu no no Século I, confirmado por Santo Agostinho). Pergunta-se: Como estaria hoje a população da Terra se a humanidade só fizesse nascer? E por que a punição teve de se estender aos animais que nada tiveram a ver com o pecado de Adão?

7 — Como puderam encerrar “casais de todos os animais da terra” (Gen. 6:19) numa arca de 300 côvados (198m) de comprimento por 50 de largura e 30 de altura (Gen 6:15)? Como conseguiram apanhar todos esses animais e reunir tantos e tão variados alimentos e de que modo se houveram as 8 pessoas a bordo (Gen. 7:13) para alimentar todos eles (e limpar todos os dejetos) durante mais de um ano? Note-se que o dilúvio começou a 17 do 2º mês (Gen. 7:11) e os que nela haviam entrado sete dias antes (Gen. 7:10) só saíram da Arca a 27 do 2º mês (do ano seguinte, é óbvio) (Gen. 8:14).

8 — Se Deus é justo e se foi Ele próprio que endureceu o coração do Faraó para que não permitisse a saída dos israelitas (Ex. 11:10), por que teria de matar todos os primogênitos do Egito, inclusive muitos milhares de inocentes crianças e até os primogênitos de todos os animais? (Ex. 12:29).

9 — Como teriam os magos egípcios transformado a água do Nilo em sangue (Ex. 7:22), se Moisés já o fizera antes? (Ex. 7:20) E como puderam perseguir os israelitas com o seu exército desfalcado de todos os primogênitos (Ex. 12:29) e empregando a sua cavalaria (Ex. 14:23), se na 5ª praga haviam sido mortos todos os cavalos? (Ex, 9:6).

10 — Se o mar tragou todo o exército do Faraó, este inclusive (Ex. 14:28), não é de estranhar que com a decifração dos hieróglifos que permite hoje conhecer toda a história do antigo Egito, não se tenha encontrado uma só referência a tão espantosa calamidade?

11 — Como entender que os autores do Antigo Testamento, tão precisos ao citar pelos nomes dezenas de pequenos reis das cidades vencidas, como Adonizedeque (Jos. 10-1), Hoão, Pirã, Zafia, Debir (Jos. 10:3), Horão (Jos. 10:33), Jabim, Jobab (Jos. 11:1), Seom (Jos. 12:2), Igue (Jos. 12:4), Jeeb (Juízes 7:25), Salmuna e Zeba (Juizes 8:5), Agag (1. Samuel 15:8), Aquís (1. Samuel 21:10), etc., não tenham mencionado o nome do Faraó que reinava ao tempo da fuga dos israelitas, o qual é citado tantas vezes nos primeiros 14 capítulos do livro de êxodo?

12 — Como puderam o Sol e a Lua ficar parados no meio do céu por ordem de Josué? (Jos. 10:13) e por que necessitou ele desse milagre para vencer os amorreus, se estes já estavam destroçados pelas pedras que “caíram do céu”?

13 — Por que a lei judaica não menciona em lugar algum as penas e recompensas após a morte? E por que nem Moisés nem os outros profetas falaram na imortalidade da alma, se isso já era conhecido dos antigos  caldeus, dos persas, dos egípcios e dos gregos?

14 — Como entender que fossem eleitos e protegido por Deus assassinos como EUDE, que apunhalou à traição o rei EGLOM (Juízes 3:21), DAVI, que fez morrer URIAS para tomar-lhe a mulher (2. Sam. 11:15) e SALOMÃO, que tendo 700 mulheres e 300 concubinas (1 Reis 11:3), mandou matar seu irmão ADONIAS só por que este lhe pedira uma (1 Reis 2:21 e 25).

15 — Como se explica que os israelitas, que “eram como dois pequenos rebanhos de cabras”, (1. Reis 20:27), tenham podido ferir num só dia 100 mil sírios (1. Reis 20:29), e ainda por cima tenha o muro da cidade caído sobre os 27 mil restantes? (1. Reis 20:30).

16 — Como admitir que o Deus que afirmou: — “Os pais não morrerão pelos filhos e nem os filhos pelos pais, mas cada qual morrerá pelo seu pecado” (Deut. 24:16), se tenha enfurecido tanto contra o ex-rei SAUL, ao ponto de assolar o povo com uma fome de três anos (2. Sam. 21:1), só se aplacando quando DAVI mandou matar sete netos daquele seu antecessor? (2. Sam. 21:8/9).

O enredo do Antigo Testamento em confronto com a hermenêutica de Cristo anunciada pelo Novo Testamento: 
Concluída a criação, foi examinar se estava tudo prefeito (Gen. 1:31), como se o Supremo Criador pudesse fazer alguma coisa imperfeita. No entanto, logo se arrependeu, quando viu que a maldade se multiplicara na Terra (Gen. 6:6), como se a presciência e a onisciência não fossem qualidades inerentes a Deus. Aliás, em matéria de arrependimento, Ele nada ficava a dever a qualquer mortal: Arrependeu-se da Criação (Gen. 6:6), bem como do mal que prometera fazer ao povo (Êxodo 32:14), arrependeu-se de haver feito rei à Saul (1ª Sam. 15: 11 e 35), arrependeu-se por haver dizimado com peste 70 mil do seu povo (2ª Sam. 24:16). Também se arrependeu em Amós 7:3, bem como do mal que prometera fazer a Nínive (Jonas 3:10). Na verdade, apesar de "não ser homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa" (Num. 23:19 e 1ª Sam. 15:29), Jeová se arrependeu tantas vezes que chegou a se declarar "cansado de se arrepender", como se lê em Jer. 15:6. Ora, sendo Deus a infinita perfeição, é claro que não poderia jamais se arrepender de nada que houvesse feito. Então, como é que querem que tudo quanto se encontra na Bíblia tenha sido escrito diretamente por Deus?(...) Mas há outras tropelias a relatar: Porque o irmão de Moisés, Arão, fabricara um bezerro de ouro para ser adorado pelos Judeus, Jeová pede permissão a Moisés para destruir o povo (Ex. 32:10), porém este o repreende (Ex. 32:12) e Ele se arrepende (Ex. 32:14). Deus manda Davi recensear o povo (2ª Sam. 24:1) e como este obedece e logo em seguida se mostra arrependido (por quê?), Jeová manda uma peste que dizima 70 mil israelitas (2ª Sam. 24:15), mas depois se arrepende e o próprio Davi lhe verbera a injustiça: "Se fui eu que pequei, por que castigas estes inocentes?" (2ª Sam. 24:17). Esse mesmo Jeová deu ainda instruções inusitadas como as contidas em Deut. 23:13 e 25:11 e 12 e mandou que o profeta Ezequiel comesse pão cozido sobre fezes humanas (Ezeq. 4:12). Voltamos a perguntar: Foi mesmo Deus quem praticou todas essas sandices? Terá sido Ele mesmo quem inspirou tudo quanto se acha escrito na Bíblia? Jeová do Antigo Testamento nada tem de comum com o Deus apresentado por Jesus no Novo. E não estamos incorrendo em nenhuma impiedade, sabemos que o nosso Pai Celestial é o mesmo de todos os tempos — sempre misericordioso para com todos os homens. Sabemos que por inspiração Sua foram outorgados os Dez Mandamentos, e que de vez em quando ministrava mensagens de alto conteúdo moral, como vemos em Lev. 19:1,15,18 e 34; Deut. 6:8, 8:6, 15:11, 16:19, etc. Mas essas e várias outras passagens eram como fugazes lampejos que a Divina Misericórdia lançava à consciência do povo como sementes de verdades que deveriam germinar em tempo próprio. Mas ainda há mais. O Deus que amamos e adoramos não pode estar sujeito às paixões humanas. Não se concebe um Deus de infinita perfeição tomado de rancor, pronto a descarregar sobre suas criaturas a sua tremenda ira. E no entanto, embora Ele se diga “misericordioso e piedoso, tardio em se irar e grande em beneficência e verdade” (Ex. 34:6), contam-se para mais de 60 acessos de cólera entre os livros Exodo e 2ª Reis. O Jeová do Velho Testamento, que deu ao seu povo eleito o mandamento “Não matarás”, mandava exterminar os inimigos (e até os amigos...) com incrível ferocidade. Assim, a despeito de que “Deus é a verdade e nele não há injustiça, justo e reto é” (Deut. 32:4), apesar de ser um Deus que “faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro” (Deuter. 10:18), vejamos como se exercitava na prática esse amor: “Quando chegares a uma cidade a combatê-la, apregoar-lhe-ás a paz; se não fizer paz, a todo varão que nela houver passarás ao fio da espada, salvo as mulheres, as crianças e os animais.” (Deut. 20: 10, 13 e 14).  Mas isso valia para as cidades distantes. Para as próximas, “nenhuma coisa que tem fôlego deixarás com vida.” (Deut. 20:16). Amor com relação ao seu próprio povo:“Cada um tome a sua espada e mate cada um a seu irmão, cada um a seu amigo, cada um a seu vizinho.” (Ex. 32:27) “E mataram uns 3 mil dos israelitas que haviam adorado o bezerro de ouro.” Mas Moisés não matou o seu irmão Arão, que fora o fabricante do ídolo, (Ex. 32:28 e 35).“Se teu irmão, teu filho, tua mulher ou teu amigo te convidar para servir outros deuses, certamente o matarás.” (Deut. 13:6/9).“Se o povo de uma cidade incitar os moradores a servir outros deuses, destruirás ao fio da espada tudo quanto nela houver, até os animais.” (Deut.13:12/15). Jeová disse ao povo: “Perfeito serás como o Senhor teu Deus” (Deuter. 18:13). Eis como o povo eleito procurava imitar essa “perfeição”: Moisés, que “era o mais manso de todos os homens que havia sobre a terra” (Num. 12:3), desce do Sinal com as “Tábuas da Lei”, onde constava o mandamento “não matarás” e logo, para passar da teoria à prática, manda matar 3 mil dos seus compatriotas e ainda por cima pede a bênção de Deus para os assassinos (Ex. 32:28/9). Josué conquistou todas as cidades da prometida “Canaã” “destruindo totalmente a toda alma que nelas havia”, (Jos. 10:35), “destruindo tudo o que tinha fôlego, como  ordenara o Senhor Deus” (Jos. 10:40), porque “O Senhor pelejava por Israel” (Jos. 10:42), o que afinal não é de admirar, uma vez que “Jeová é homem de guerra” (Ex. 15:3). Das muitas cidades conquistadas, “nada restou que tivesse fôlego” (Jos. 11:14) “porque do Senhor vinha que os seus corações se endurecessem para saírem ao encontro de Israel na guerra, para destruí-los totalmente, para se não ter piedade deles, mas  para os destruir a todos, como o Senhor tinha ordenado a Moisés” (Jos. 11:20). “Como ordenara Jeová a Moisés, assim Moisés ordenou a Josué e assim Josué o fez” (Jos. 11:15). “Josué os destruiu totalmente, tomou toda a terra e a deu em herança aos filhos de Israel.” (Jos. 11:21 e 23). E de estranhar que os israelitas estejam agora tentando recuperar essa “herança”? Jefté, juiz em Israel, oferece ao Senhor em holocausto a sua própria filha (Juízes 11:31) e em seguida mata 42 mil efraimitas (também judeus) (Juízes 12:6). Os israelitas matam 25 mil da tribo de Benjamim (Juízes 20:35), passando ao fio da espada até os animais (Juízes 20:48) e depois dizimam a tribo “Gilead”, poupando apenas 400 virgens para os que haviam sobrado dos benjamitas (Juízes 21:12 e 14). Samuel era vidente de Deus (1.8 Sam. 9:19), mas mandou que o rei destruísse totalmente os amalequitas, “matando desde o homem até a mulher, desde os meninos até os de mama, desde os bois até as ovelhas e desde os camelos até os jumentos” (1 Sam. 15:3). Mas Saul poupou os animais e por isso foi castigado (1 Sam. 15:26), enquanto Samuel “despedaçou o rei amalequita diante do Senhor” (1 Sam. 15:33). Os amalequitas, pagãos, eram mais humanos, porquanto tomaram a cidade de Davi “e a ninguém mataram, só levaram cativos” (1 Sam. .30:2), mas Davi “os perseguiu e matou a todos os amalequitas, porque essa fora a ordem do Senhor” (1 Sam. 15:3), “só tendo escapado 400 mancebos que fugiram” (1 Sam. 30:17). O Deus do Antigo Testamento, criador do mundo visível, não pode ser o Deus Supremo revelado por Cristo, mas sim um demiurgo inferior.” (“História da Igreja Cristã”, 2ª edição, pg. 80). 

ENTÃO SURGE  a teologia do "JEOVÁ FALSO DEUS" influenciada pelo Gnosticismo.
LIDERADAS POR Simão Mago e Marcião de Sinope: Sec II ambos tinham tendências gnóstica, para eles, Satanás é o príncipe desse mundo, Jeová (o primeiro anjo caído criado pelo Pai de Jesus) é o seu pai e também, é o criador da matéria, e consequentemente dos nossos corpos materiais. O PAI de JESUS é o CRIADOR do mundo perfeito, o mundo espiritual, o mundo onde não, há mortes, dor, nem sofrimento, ele se fez carne, habitou em JESUS e nos comprou a preço de sangue, de JEOVÁ, para que todos possam compartilhar do mundo espiritual. Para eles o Apocalipse é revelação de JEOVÁ e não do PAI...também, a ICAR manipulou algumas passagens do NOVO TESTAMENTO para parecer que JESUS fosse o MESSIAS de JEOVÁ. Mas os Judeus bem sabem que não é, pois o reino de JEOVÁ É MATERIAL NA TERRA, e Jesus não aceita a matéria como algo proveitoso,  Jesus declarou: "Pai justo, o mundo não te conheceu; mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste a mim." e ainda, se Moisés viu Jeová, e pelo Novo Testamento, O PAI NUNCA FOI VISTO POR NINGUÉM,  LOGO, segundo a teologia deles,  AQUELE QUE  MOISÉS VIU NÃO ERA O DEUS PAI

Surgem também o ateísmo, ceticismo, e afins.
Na sequência, proveniente da ausência de respostas plausíveis ao questionamentos, surge o ateísmo, ceticismo e afins, que são o grupo de pessoas, que deixaram de crer na Bíblia como mensagem de Deus, e até mesmo deixaram de crer na existência de um Criador,  no seu auge foram liderados pelos Iluministas.
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RESPOSTA

QUANTO A HERMENÊUTICA:

O exame do Velho Testamento nos leva a três alternativas: 

1- Ou era o próprio legislador (MOISÉS) quem, com o propósito de infundir respeito, atribuía à Divindade todos aqueles rompantes de ferocidade de que o Antigo Testamento está repleto;

2- Ou Deus se fazia representar ante o povo por uma deidade tribal, talvez até mais de uma, como se infere de Gên. 3:22: “Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal.” E a prova de se tratar de Espírito ainda um tanto materializado é que habitava no tabernáculo (2.8 Sam. 7:6), ou “de tenda em tenda” (1.8 Crôn. 17:5) e “se comprazia com o cheiro dos animais imolados em holocausto” (Números 29:36). Para os gnósticos do II Século, segundo o teólogo WALKER,

3- Ou Será Jeová Falso Deus, o mundo antes de Jesus vir não conhecia o verdadeiro Deus. Deus não encarnou na lei, Cristo só encarnou no Novo Testamento, logo todas as materializações que aconteceram antes de Cristo, eram os anjos.

Não nos alongaremos mais nesta análise do Antigo Testamento, porque o que aí se encontra permite formar uma ideia sobre o problema da "inerrância" da Bíblia, ou seja, do princípio dogmático de que tudo quanto nela se contém foi escrito sob a direta inspiração do próprio Deus, e, portanto, tem que estar tudo certo, não pode haver nada errado;


Mas, será mesmo que o problema está apenas na violência do Deus de Israel?
A história de todos os povos está repleta de lendas, crendices, mitos, alegorias e superstições. Por que a dos judeus teria que ser diferente? A saga dos israelitas está referta de fábulas e exageros, e não é atribuindo a paternidade do registro a Deus que se pode dar cunho de veracidade a uma série de fantasias. A história da criação do mundo há 6 mil anos, tal como descrita no Gênesis, a Ciência já provou que não passa de lenda, ou, no máximo de uma alegoria. Antropologia e a Paleontologia já demonstraram que a espécie humana tem pelo menos 40 mil anos de existência na Terra. Certo que essa lenda, — aliás oriunda da vetusta India — tem o seu valor simbólico, por explicar de forma velada o surgimento da raça adâmica em nosso mundo, como tem o seu valor a fábula da Arca de Noé, refletindo a reminiscência de inundações que assolaram várias regiões do globo em tempos primitivos, e transmitidas de geração a geração através de tradição oral.

A história da mula de Balaão que Falou (Num. 22: 23/ 25), é evidente que nos tempos atuais só pode ser aceita como lenda, a menos tenha ocorrido um fenômeno de “voz direta” do anjo que fizera empacar o animal. Assim também a passagem dos israelitas a seco pelo Mar Vermelho (Ex. 14:22), bem como a “parada” do Sol e da Lua no meio do céu por ordem de Josué (Jos. 10:13), o retrocesso de 10 graus na sombra do Sol por ordem de Isaías (2. Reis 20:11), a transformação da mulher de Ló em estátua de sal (Gen. 19:26) e a matança dos amorreus por pedras atiradas do céu por Deus (Jos. 10:11). De igual modo, as proezas do fabuloso Sansão dão o que pensar: como poderia ele, por mais forte que fosse, fender um leão de alto a baixo (Juízes 14:6) e como teria conseguido apanhar 300 raposas vivas e atar-lhes as caudas para incendiar a seara dos filisteus? (Juízes 15:4). E como poderia Eliseu depois de morto ter ressuscitado um homem? (2. Reis 13:21).

Não haverá evidente exagero em afirmar que os israelitas num só dia mataram 100 mil sírios? (1. Reis 20:29). A nosso ver, cem mil homens não morrem num só dia, nem com as mais devastadoras armas modernas. Com as bombas nucleares existe a possibilidade, mas até o momento não nos consta tenha de fato ocorrido. As lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki em 6 e 9-8-45 não chegaram a exterminar tanta gente, pelo menos não no primeiro dia. E note-se que não foram arremessadas contra exércitos aguerridos, mas contra populações civis. Se com os recursos altamente sofisticados da tecnologia atual a empresa não é fácil, imagine-se o que não seja nos tempos em que as armas mais letais eram espadas e lanças, e os veículos mais velozes eram carros puxados por cavalos e camelos.

Pela mesma razão não nos parece muito verossímil que o “Anjo do Senhor” tenha numa só noite exterminado 185 mil assírios (2. Reis 19:35), nem que 120 mil “midianitas” tenham sido mortos pelos 300 de Gedeão (Juizes 8:10), nem que os judeus tenham eliminado em um só dia 120 mil da tribo de Judá, “todos homens poderosos, por terem abandonado o Senhor Deus de seus pais” (2. Crôn. 28:6), e ainda levado cativas 200 mil mulheres e crianças do seu povo irmão” (2ª Crôn. 28:8).

E o que dizer dos “500 mil homens escolhidos que caíram feridos de Israel”? (2. Crôn. 13:17). E o que dizer do 1 milhão (1 milhão!) de etíopes, que “foram destroçados sem restar nem um sequer”? (2. Crôn. 14:9 e 13). Será que a Etiópia já dispunha naquele tempo de 1 milhão de habitantes? ( )

Ora, onde há contradições, não pode haver verdade, isso é óbvio! Para aceitar a teologia Jeová Falso Deus, teríamos que ignorar outros problemas como tais contradições e lapsos de subjetividade irrealística,  teríamos que interpretá-la com o equívoco da literalidade e admitir tudo quanto foi relatado por Moisés como veracidade absoluta, e pelo senso comum, pela ciência e lógica, isso é um completo absurdo.

Sendo Deus o princípio de todas as coisas inclusive do mundo terreno, (At 17: 24-25 Jo 1: 1-7) e sendo todo sabedoria, todo bondade, todo justiça, tudo o que dele procede há de participar dos seus atributos, porquanto o que é infinitamente sábio, justo e bom nada pode produzir que seja ininteligente, mau e injusto. O mal que observamos não pode ter nele a sua origem.

Moisés certamente foi um homem de grande cultura para a sua época, versado nos segredos da ciência egípcia, por ter sido criado e educado pela família real (Atos 7:22). Isto não invalida o ensino dado ao povo  hebreu, nem lhe tira o caráter de “revelação”, apenas sugere moderação aos que pretendem ser a Bíblia a única revelação ministrada por Deus aos homens.

Da mesma forma, a lei de amor pregada por Jesus já havia sido objeto de pregação pelo filósofo hindu Kristna e era crença comun entre os povos da antiguidade oriental. Mas as revelações daquele egrégio filósofo foram abafadas pelo Brahmanismo, exatamente como as de Jesus vieram a ser abafadas pelos que se proclamam seus seguidores.

O ponto que desejamos salientar é que, se a Bíblia trouxe revelações divinas ao homem, outras revelações têm sido ministradas por Deus a outros povos. Vários livros religiosos da antiguidade, cada um a seu tempo e atendendo às circunstâncias da sua época, contribuíram para a elevação moral dos povos. A própria Ciência pode ser considerada um instrumento de revelações, sendo os grandes inventores missionários inspirados no sentido de incentivarem o progresso intelectual. E o que são os grandes artistas, senão mensageiros incumbidos do aprimoramento da sensibilidade do espírito humano?

Deus é o Criador de todos os homens, e sendo um Pai Amoroso qual o retrata Jesus, não iria privilegiar um pequeno grupo de bárbaro, relegado ao abandono todo o resto da humanidade por Ele criada. Os hebreus se consideraram “o povo eleito de Deus”, e os irmãos evangélicos acreditam piamente nessa história, por haver inúmeras referências a isso na Escritura... E como não haveria, se os escritores do Antigo Testamento, foram todos judeus?

É interessante observar que todo o Velho Testamento retrata uma evidente preparação para o advento do Messias. Mas quando enfim desce à Terra  aquele que, segundo os nossos irmãos, é a encarnação do próprio Deus, os  israelitas o rejeitam e o crucificam... E dois mil anos depois, quando a figura do Cristo se projeta na História como o maior de todos os profetas enviados por Deus à humanidade, aquele que veio traçar novos rumos à grande civilização ocidental que se intitula “cristã”, nem assim o “povo eleito” reconhece ou se penitencia do mais clamoroso dos seus erros, continuando apegado à velha concepção farisaica, alheio à pessoa do Nazareno e não mais esperando um Messias personalizado, mas atribuindo à própria comunidade a tarefa messiânica, de conduzir a humanidade aos pés de Jeová, na plenitude dos tempos.

Sendo um povo de grande inteligência e sagacidade, é natural que os israelitas dos tempos hodiernos usassem seu inegável prestígio bíblico junto às opulentas comunidades cristãs, principalmente as protestantes, para desencadear o movimento sionista, que teve por desfecho a “doação” que lhes fizeram as Nações Unidas, em 1948, de vastos territórios mantidos sob protetorado, mas cujos possuidores, legítimos ou não, eram os povos palestinos.

O episódio da adoração do bezerro de ouro, nas fraldas do Sinai, enquanto Moisés recebia, no alto da montanha, as tábuas da lei, mostra-nos o momento crítico de transição da Aliança Animal para a Aliança Divina. Abrão, Isac e Jacó, já haviam firmado a Aliança Sagrada, mas o povo hebreu, ainda confiava mais no culto egípcio do Boi Ápis, cuja força e virilidade se apresentavam concretas e vivas, no corpo do animal vigoroso. O Bezerro dos israelitas tinha a vantagem do vigor juvenil e sua imagem de ouro, excitava a imaginação dos que pretendiam desfrutar, para sempre, das delícias de Canaã, com leite e mel em seus rios, e o fascínio do ouro e do poder, nas conquistas a realizar. Moisés teve de recorrer ao fio da espada, para lembrar aos fascinados, que a juventude e a força do homem, podiam apagar-se num simples golpe de lâmina. E isso, no momento em que recebera o manda-mento incisivo: "Não matarás"

Jesus confirmou que Moisés foi o homem escolhido por Deus para semear entre os primitivos a lei de todos os tempos e de todos os povos. Estruturou-a em Dez Mandamentos, resumindo os deveres que fariam das criaturas, homens de bem. Ao lado disso, porém, estabeleceu leis disciplinares que pudessem deter uma comunidade de homens primitivos dentro de um sentido mínimo de convivência. Há, portanto, que se separar o que é divino (Lei de Deus) do que é humano (lei disciplinar) na obra desse legislador hebreu. A grande missão dele foi preparar o terreno para que mais tarde Jesus pudesse semear a mensagem da fraternidade universal. Recebeu, portanto, a Primeira Revelação de Deus aos homens. A Lei disciplinar de Moisés está contida nos cinco livros atribuídos a ele: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. A Lei divina são os Dez Mandamentos.
Tomemos para termo de comparação um fato vulgar. Sabe um proprietário que nos confins de suas terras há um lugar perigoso, onde poderia perecer ou ferir-se quem por lá se aventurasse. Que faz, a fim de prevenir os acidentes? Manda colocar perto um aviso, tornando defeso ao transeunte ir mais longe, por motivo do perigo. Ai está a lei, que é sábia e previdente. Se, apesar de tudo, um imprudente desatende o aviso, vai além do ponto onde este se encontra e sai-se mal, de quem se pode ele queixar, senão de si próprio?

Deus promulgou leis plenas de sabedoria, (DEZ MANDAMENTOS) tendo por único objetivo o bem. Em si mesmo encontra o homem tudo o que lhe é necessário para cumpri-las. A consciência lhe traça a rota, a lei divina lhe está gravada no coração e, ao demais, Deus lha lembra constantemente por intermédio de seus messias e profetas

O parapsicólogo Clóvis Nunes observa que o Museu das Almas representa para os cristãos a certeza da fé no Além, e analisa: "O mistério do Cristianismo nasceu desta comunicação com o Além. Desde o nascimento de Cristo, anunciado por um espírito, até mesmo a sustentação do Cristianismo, porque este só se tornou sustentável quando Jesus ressurgiu dos mortos, no terceiro dia. A partir daí, o Cristianismo se legitimou e outros fenômenos incríveis da história foram legitimados pela comunicação entre vivos e mortos".

"Outro aspecto importante, prossegue o pesquisador, foi a conversão de Paulo de Tarso, na estrada de Damasco, quando se deparou com o espírito de Jesus, que perguntou-lhe: 'Paulo, Paulo, por que me persegues?' Ele caiu cego do cavalo. O Cristo já havia morrido quando este contato aconteceu. Então, o mistério do Cristianismo é o ressurgimento de Jesus do Além e a convicção dos cristãos, dos discípulos e dos apóstolos somente foram construídos depois da certeza inabalável que Jesus vivia após a morte. Isso foi a redenção do Cristianismo, que começa depois da cruz".

Os sacrifícios eram oferecidos tendo-se em vista o pecado cometido por Adão, ou seja, os do passado. Com o sacrifício de Cristo, nós não precisaríamos de de mais sacrifícios. O verdadeiro e único aperfeiçoamento do homem acontece quando ele aceita Jesus Cristo como único e suficiente Salvador, de nada valeria Jesus ter ensinado que "a cada um segundo as suas obras" (Mateus 16, 27). Assim devemos entender que, pelo segundo texto, Jesus de fato nos aperfeiçoará, mas somente quando praticarmos os seus ensinamentos no nosso dia-a-dia, ou seja, esforçando-nos para seguir as suas pegadas. Não há como conceber que, após a morte de Jesus, todos nós estejamos salvos, isto é fixação nos rituais de sacrifícios da antigüidade, os quais Paulo estava combatendo. A morte de Jesus serve para nós como exemplo de amor a Deus e de completa submissão à sua vontade. Até porque, como já dissemos em outra oportunidade, os sacrifícios eram oferecidos tendo-se em vista os pecados já cometidos, ou seja, os do passado. Assim sendo, nós precisaríamos de outro Cristo para pagar os pecados.



Jesus pregou a humildade (Marcos 9:35) e ensinou que todos os homens são irmãos (Mat. 5:45 e 23:8). Ora, a convicção cristalizada no inconsciente coletivo em milênios de auto-doutrinação, de ser uma nação privilegiada pelo Todo Poderoso como “povo eleito” não pode gerar sentimentos de humildade, só de arrogância e orgulho, justificando todos os excessos. De igual modo a idéia de uma predestinação oriunda da concepção judaica-cristã perfilhada pelo apóstolo S. Paulo, não pode induzir na mente de ninguém o ideal de solidariedade humana que o nosso Mestre pregou, e sim sentimentos de egoísmo e orgulho, talvez até um certo desprezo pelos considerados “ímpios”. E o que admira é que — estando já escolhidos de antemão aqueles que deverão ser salvos — ainda se dêem ao trabalho de pregar o Evangelho aos incrédulos.
  
Guardar o sábado ou o domingo é apenas uma questão de forma. Quando as Leis vieram através de Moisés, o sábado já era um dia reservado à adoração pelos povos antigos. Santificar o dia de Sábado, na verdade quer dizer que pelo menos um dia da semana o homem teria que se dedicar às coisas de Deus.

Veja o que é dito acerca das tradições Judaicas dados pela LEI:

Colossenses 2:16-18
Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão.

Colossenses 2:20-211 
Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?

Gálatas 4:3
Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo.

Gálatas 4:9
Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?

Mas tanto pode ser sábado, como domingo, como qualquer outro dia. É apenas uma questão de forma. Na verdade o homem de bem teria que se dedicar a observar a Lei todos os dias. Mas ainda somos atrasados para compreender isso. Que seja pelo menos em um dia. Não faz sentido achar que é neste ou naquele. Pensar assim é grande sinal de atraso espiritual ainda.
  
Seguimos a doutrina de Jesus e, como tal, oferece aos homens a possibilidade de libertar-se da situação de ignorância espiritual, através de seus ensinamentos, que se sustenta basicamente no exercício do amor ao próximo. Portanto, todas as doutrinas que professem o mesmo sentimento podem levar o homem a compreender melhor sua essência divina. Entretanto, as religiões orientais por desconhecerem os ensinos libertadores de Jesus, embora tenham conhecimento da imortalidade do Espírito, permanecem presas ao atraso material e intelectual reinante nas regiões onde se localizam. Certamente, são religiões que foram criadas para atender um fim específico. A doutrina de Jesus é superior a elas em todos os sentidos, pois não se atrela a ritualismos, exterioridades, nem fanatismos e regionalidade seletiva, mas sim, a todos os povos.

Porque então, Deus criou a matéria? Não poderia ele ter criado apenas o lindo mundo espiritual, e colocado suas criaturas lá, um mundo sem maldades, sem morte, e sem dores? 

Deus pôs limite à satisfação das necessidades: desse limite a saciedade adverte o homem; se este o ultrapassa, fá-lo voluntariamente. As doenças, as enfermidades, a morte, que daí podem resultar, provêm da sua imprevidência, não de Deus.

Entretanto, Deus, todo bondade, Pôs o remédio ao lado do mal, isto é, faz que do próprio mal saia o remédio. Um momento chega em que o excesso do mal moral se torna intolerável e impõe ao homem a necessidade de mudar de vida. Instruído pela experiência, ele se sente compelido a procurar no bem o remédio, sempre por efeito do seu livre-arbítrio. Quando toma melhor caminho, é por sua vontade e porque reconheceu os inconvenientes do outro. A necessidade, pois, o constrange a melhorar-se moralmente, para ser mais feliz, do mesmo modo que o constrangeu a melhorar as condições materiais da sua existência

O erro esta em pretender-se que a alma haja saído perfeita das mãos do Criador, quando este, ao contrario, quis que a perfeição resulte da depuração gradual do Espírito e seja obra sua. Houve Deus por bem que a alma, dotada de livre-arbítrio, pudesse optar entre o bem e o mal e chegasse a suas finalidades últimas de forma militante e resistindo ao mal. Se houvera criado a alma tão perfeita quanto ele e, ao sair-lhe ela das mãos, a houvesse associado à sua beatitude eterna, Deus tê-la-ia feito, não à sua imagem, mas semelhante a si próprio.

Pode dizer-se que o mal é a ausência do bem, como o frio é a ausência do calor. Assim como o frio não é um fluido especial, também o mal não é atributo distinto; um é o negativo do outro. Onde não existe o bem, forçosamente existe o mal. Não praticar o mal, já é um princípio do bem. Deus somente quer o bem; só do homem procede o mal. Se na criação houvesse um ser preposto ao mal, ninguém o poderia evitar; mas, tendo o homem a causa do mal em SI MESMO, tendo simultaneamente o livre-arbítrio e por guia as leis divinas, evitá-lo-á sempre que o queira.

A mensagem de Jesus  tem por destino a vida espiritual, porém, nas primeiras fases da sua existência corpórea, somente a exigências materiais lhe cumpre satisfazer e, para tal, o exercício das paixões constitui uma necessidade para o efeito da conservação da espécie e dos indivíduos, materialmente falando. Mas, uma vez saído desse período, outras necessidades se lhe apresentam, a princípio semimorais e semimateriais, depois exclusivamente morais. É então que o Espírito exerce domínio sobre a matéria, sacode-lhe o jugo, avança pela senda providencial que se lhe acha traçada e se aproxima do seu destino final. Se, ao contrário, ele se deixa dominar pela matéria, atrasa-se e se identifica com o bruto. Nessa situação, o que era outrora um bem, porque era uma necessidade da sua natureza, transforma-se num mal, não só porque já não constitui uma necessidade, como porque se torna prejudicial à espiritualização do ser

A destruição recíproca dos seres vivos é, dentre as leis da Natureza, uma das que, à primeira vista, menos parecem conciliar-se com a bondade de Deus. Pergunta-se por que lhes criou ele a necessidade de mutuamente se destruírem, para se alimentarem uns à custa dos outros.

Para quem apenas vê a matéria e restringe à vida presente a sua visão, há de isso, com efeito, parecer uma imperfeição na obra divina. É que, em geral, os homens apreciam a perfeição de Deus do ponto de vista humano; medindo-lhe a sabedoria pelo juízo que dela formam, pensam que Deus não poderia fazer coisa melhor do que eles próprios fariam. 

É dicícil, a curta visão, de que dispõem o homem, compreenderque um bem real possa decorrer de um, mal aparente, ou seja, nem todo ruim faz mal, e nem todo bom faz bem, a dor não gera o egoísta, mas sim o altruísta; enquanto a ausência de dor gera auto-indulgência aos desejos e caprichos da vaidade, e, assim, apenas produzindo o egoísta, somente a tribulação, ou a provação, ou a tentação, ou as fraquezas nos fazem produzir o Fruto da Vida. 

Para quem apenas vê a matéria e restringe à vida presente a sua visão, há de isso, com efeito, parecer uma imperfeição na obra divina. É que, em geral, os homens apreciam a perfeição de Deus do ponto de vista humano; medindo-lhe a sabedoria pelo juízo que dela formam, pensam que Deus não poderia fazer coisa melhor do que eles próprios fariam. Não lhes permitindo a curta visão, de que dispõem, apreciar o conjunto, não compreendem que um bem real possa decorrer de um, mal aparente. Só o conhecimento do princípio espiritual, considerado em sua verdadeira essência, e o da grande lei de unidade, que constitui a harmonia da criação, pode dar ao homem a chave desse mistério e mostrar-lhe a sabedoria providencial e a harmonia, exatamente onde apenas vê uma anomalia e uma contradição.

Por meio do incessante espetáculo da destruição, ensina Deus aos homens o pouco caso que devem fazer do envoltório material e lhes suscita a idéia da vida espiritual, fazendo que a desejem como uma compensação.

Objetar-se-á: não podia Deus chegar ao mesmo resultado por outros meios, sem constranger os seres vivos a se entredestruírem? Desde que na sua obra tudo é sabedoria, devemos supor que esta não existirá mais num ponto do que noutros; se não o compreendemos assim, devemos atribuí-lo à nossa falta de adiantamento. Contudo, podemos tentar a pesquisa da razão do que nos pareça defeituoso, tomando por bússola este princípio: Deus há de ser infinitamente justo e sábio. Procuremos, portanto, em tudo, a sua justiça e a sua sabedoria e curvemo-nos diante do que ultrapasse o nosso entendimento.

Sem prejulgar das conseqüências que se possam tirar desse princípio, apenas quisemos demonstrar, mediante essa explicação, que a destruição de uns seres vivos por outros em nada infirma a sabedoria divina e que, nas leis da Natureza, tudo se encadeia. Esse encadeamento forçosamente se quebra, desde que se abstraia do princípio espiritual. Muitas questões permanecem insolúveis, por só se levar em conta a matéria.

As doutrinas materialistas trazem em si o princípio de sua própria destruição. Têm contra si não só o antagonismo em que se acham com as aspirações da universalidade dos homens e suas conseqüências morais, que farão sejam elas repelidas como dissolventes da sociedade, mas também a necessidade que o homem experimenta de se inteirar de tudo o que resulta do progresso. O desenvolvimento intelectual conduz o homem à pesquisa das causas. Ora, por pouco que ele reflita, não tardará a reconhecer a impotência do materialismo para tudo explicar. Como é possível que doutrinas que não satisfazem ao coração, nem à razão, nem à inteligência, que deixam problemáticas as mais vitais questões, venham a prevalecer? O progresso das idéias matará o materialismo, como matou o fanatismo.
  
Em síntese, entendemos pois que o mundo material, ou a matéria não é a realidade exata, mas sim, sombra da realidade. No caso da matéria ser má, o mal é relativo, nem todo ruim faz mal e nem todo bom faz bem, o entendimento exato é proporcionada ao grau de adiantamento. E que A lei de Deus foram os dez mandamentos, a Lei de Moisés foi puramente humano e disciplinar, e que devemos tomar cuidado com a simbologia e passagens delicadas em que o sentido das palavras que outrora, em outra cultura, em outra época tinham a semântica diferentes e expressões de linguagem regionais  Entendemos ainda que as histórias do Velho Testamento que retratam a injustiça de Deus nada mais são que a visão errante e contraditória dos povos primitivos, e portanto, qualquer que tenha um pouquinho de discernimento sabe que a defesa da inerrância bíblica é tolice! A Lei veio de Moisés, a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo. Temos o dever de saber a gênese de nossa doutrina que não é outra senão a do Cristo, que por sua vez, veio desdobrar os Dez Mandamentos da Lei de Deus e desmistificar as fábulas Judaicas e tradições religiosas influenciadas pelo cativeiro babilônico.

Bibliografia:

  • A Dimensão Humana de Cristo, Djalma Argollo, Editora Martin Claret, São Paulo, SP, 1ª edição, 1999.
  • A Face Oculta das Religiões, José Reis Chaves, Editora Martin Claret, São Paulo – SP, 2000, 1ª edição.
  • A Vida de Jesus, Antônio Lima, Federação Espírita Brasileira, RJ, 3ª Edição.
  • Bíblia Anotada = The Ryrie Study Bible/Texto bíblico: Versão Almeida, Revista e Atualizada, com introdução, esboço, referências laterais e notas por Charles Caldwell Ryrie; Tradução de Carlos Oswaldo Cardoso Pinto. São Paulo, Mundo Cristão, 1994.
  • Bíblia Sagrada, Edição Barsa, 1965.
  • Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Sociedade Bíblica Católica Internacional e Paulus, 14ª Impressão 1995.
  • Bíblia Sagrada, Edições Paulinas, São Paulo, 37ª Edição, 1980.
  • Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria, São Paulo, 1989, 68ª Edição.
  • Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria, São Paulo, 1989, 68ª Edição.
  • Bíblia Sagrada, Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 1989, 8ª Edição.
  • Bíblia Sagrada, Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, Organizada sob a direção de Jesus Ruescas, Sivadi Editorial.
  • Dicionário Bíblico Universal / L. Monloubou e F.M. Du Buit, Petrópolis, RJ, Vozes; Aparecida, SP: Editora Santuário, 1996.
  • Novo Testamento, LEB – Edições Loyola, São Paulo, 1984.

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